Arquivo da tag: tequila que não desce

A tequila que não desce


Warning: preg_match() [function.preg-match]: Compilation failed: unrecognized character after (?< at offset 10 in /home/httpd/vhosts/warmup.com.br/subdomains/bloggp/httpdocs/wp-includes/class-wp-block-parser.php on line 418

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

A temporada 2013 da F1 começou cheia de expectativas para o México. Afinal, era a primeira vez desde 1968 que dois astecas correriam lado a lado no grid de largada da principal categoria do automobilismo. Só que nem sempre qualidade é quantidade, não é mesmo?

Muito dessa expectativa gravitava em torno de Sergio Pérez. O jovem de Guadalajara fez seu primeiro ano e meio de F1 muito bem, brilhou em alguns momentos com a intermediária Sauber e ficou perto de ganhar corrida, subindo ao pódio em três oportunidades. É bem verdade que desde que sua contratação pela McLaren fora anunciada, ele jamais foi o mesmo, mas talvez fosse algo passageiro.

Esteban Gutiérrez é a cara nova do México na F1. O magrelo piloto de Monterrey pintou com certo destaque quando foi campeão da GP3 — o primeiro campeão, aliás, em 2010 — e correu na GP2 com relativo destaque, mas não chegou a ser um cara brilhante. Ganhou algumas corridas aqui e ali, mas só. Ainda assim, demonstrava um certo potencial que, aliado ao apoio da Telmex, foi decisivo para ser contratado pela Sauber justamente para substituir Pérez.

O pacote asteca para 2013 parecia ser mesmo promissor: Pérez na McLaren, equipe mais do que vencedora e dono de um histórico glorioso na F1; Gutiérrez na Sauber, time que cresce cada vez mais a cada temporada e que deixou boa impressão nos últimos anos, graças ao legado de ‘Checo’ e de Kamui Kobayashi (que saudades do Kobayashi na F1).

Sergio Pérez já começa a ser contestado dentro da McLaren

Só que toda a expectativa sobre um bom desempenho por parte dos mexicanos caiu por terra assim que o campeonato começou. Pérez, apontado até mesmo aqui pelo BloGP como um potencial campeão do mundo, desandou: nas pistas, parece sucumbir à força de Jenson Button e começa a receber críticas por parte da McLaren. Fora delas, deixou de ser aquele cara solícito que se diferenciava dos outros pilotos e adotou uma linha mais política, sendo mais do mesmo, às vezes menos do mesmo.

Os resultados de ‘Checo’ são pífios até aqui. Enquanto Button vai tirando leite de pedra e conseguindo o que talvez fosse impossível com o péssimo carro que dispõe — são 12 pontos em três corridas, sendo o quinto lugar na China como melhor resultado —, Pérez só foi ao Q3 uma vez, na Malásia, onde conquistou sua melhor colocação no ano: nono lugar. Patético. Como se não bastasse, Sergio foi descrito por Martin Whitmarsh como um piloto “muito polido”, e o chefão lhe pediu que fosse mais incisivo para se defender das ultrapassagens.

O começo de Pérez na McLaren tem sido tão ruim que me faz lembrar outros dois casos num passado não muito distante. Na mesma McLaren, em 1993, Michael Andretti só conseguiu pontuar na quinta corrida da temporada e não foi nem sombra daquele piloto combativo que se consagrou na Indy. Um ano antes, na Ferrari, Ivan Capelli foi igualmente pífio, somando apenas dois pontos nas primeiras corridas do ano. O destino de ambos foi semelhante: a dispensa antes mesmo do fim da temporada.

Não me parece que Pérez tenha esse fim, pelo menos por enquanto. Muito se fala sobre a Telmex vir a ser a patrocinadora principal da McLaren no futuro, mas não acredito que eles precisem tanto assim da grana a ponto de colocar ‘Checo’ em um dos seus cockpits a troco disso. A McLaren é muito grande para se submeter a um piloto meramente pagante. Mas caso eles se cansem das patacoadas de Pérez, tem um Kobayashi aí dando sopa, mantendo o ritmo de corrida no Mundial de Endurance…

Gutiérrez vai ficando marcado pelos seus erros neste seu começo de carreira na F1

Falando sobre Gutiérrez — já apelidado por muitos como ‘Gutierros’, com justiça, inclusive —, é preciso levar em conta dois fatores: como estreante, é natural que ele cometa erros aqui e ali, tudo isso faz parte do cruel aprendizado de um piloto de F1. Mas não é preciso ser um gênio para perceber que, pelo menos por enquanto, Esteban continua devendo, e muito. Com um carro que parece ser bom — e Nico Hülkenberg, um extra classe, mostra isso —, o jovem de Monterrey sequer chegou perto de almejar os pontos.

Em Xangai, por exemplo, Gutiérrez foi ridículo e cometeu um erro bizarro ao encher a traseira de Sutil — que azar, hein Adrian —, destruindo a corrida de ambos. Não à toa, foi punido pela FIA com a perda de cinco posições no grid de largada do GP do Bahrein. Certamente, Monisha Kaltenborn e Peter Sauber já devem estar com saudades de Kobayashi, mas, diferente da McLaren, precisam muito da grana da Telmex, que só está lá porque Esteban ocupa um dos seus cockpits.

Sinceramente, não vejo futuro muito grande para Gutiérrez na F1. Muito fraco e parece não ter estrutura para suportar a pressão de estar na categoria. Pérez ainda tem a seu favor o fato de ter mostrado bom serviço na Sauber, então ainda tem um pouco de crédito. O único trunfo de Esteban é a grana do seu Slim e nada mais.

Aguardemos as próximas corridas. Mas a julgar pelo começo de temporada, a tequila dos mexicanos está batizada e não desce nem com sal e limão.

Adendo: por meio de sua conta no Twitter, a Academia de Pilotos da Ferrari deu uma leve alfinetada em Gutiérrez e, principalmente Pérez, oriundo do programa de Maranello, durante a péssima participação de ambos ontem: not a very good day for Mexicans today !!! #tooyoungforf1. Vale lembrar que no ano passado Luca di Montezemolo justificou a não contratação de Pérez por considerá-lo verde demais para ser titular da Ferrari. E não é que ele tinha razão?

Tags: , , , , , , | 32 Comentários