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A maior de todos os tempos

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

2013 começou de maneira bastante positiva para as mulheres do automobilismo. No corpo diretivo, Claire Williams virou chefe adjunta da equipe do lendário pai, que, ao que tudo indica, vai pendurar as chuteiras em breve e prepara a filhota como sucessora. Claire, que trabalhou por um bom tempo no departamento de comunicação da equipe, agora vai desempenhar uma função de grande responsabilidade, assim como Monisha Kaltenborn, que já é chefe da Sauber desde o ano passado e substitui com propriedade o grande Peter Sauber no comando do austero time suíço.

Nas pistas, a história também está se mostrando bem interessante para as mulheres, o sexo forte, como costumo dizer. Danica Patrick, aquela que, embora muitos torçam o nariz, é uma baita pilota (sim, pilota está correto segundo a língua portuguesa) e foi pole nas 500 Milhas de Daytona da Nascar, alcançando um feito histórico. Na Indy, Simona de Silvestro fez uma baita corrida em sua estreia pela KV e quase, por muito pouco mesmo, não conquistou um pódio, mas impressionou ao superar o novo companheiro de equipe Tony Kanaan. Bia Figueiredo, que a princípio correria apenas em St. Pete, Anhembi e Indianápolis, garantiu mais duas corridas, pelo menos: Barber e Long Beach.

Talvez hoje não seja mais tão surpreendente assim ver cada vez mulheres em posição de destaque no automobilismo de elite pelo mundo. Mas não era assim que a banda tocava há 30 anos. Naquele tempo, era muito raro ver uma menina fazendo bonito nas pistas. Evidente que o espaço ofertado naquela época era muito menor que nos dias de hoje, e isso, obviamente, faz toda a diferença.

Mas uma mulher em especial quebrou todos os paradigmas possíveis no automobilismo e se colocou, em minha opinião, como a maior pilota de todos os tempos. Michèle Mouton, a rainha do automobilismo, venceu, sempre ao lado da navegadora Fabrizia Pons e correndo de Audi, nada menos que quatro provas do Mundial de Rali entre 1981 e 1982 (em 82, aliás, foram três vitórias). Sua última vitória aconteceu exatamente no Brasil. Naquele ano mágico, Mouton conquistou o vice-campeonato mundial. Jamais uma mulher chegou perto de alcançar o feito de Michèle.

Segue abaixo uma coletânea das melhores imagens da rainha. Pilotava muito ou não?

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O duro caminho das mulheres na Europa e a alternativa norte-americana


FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Vicky Piria

Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, chamou a atenção duas notícias relacionadas à F1. A primeira delas: Christian Horner, chefe de equipe da Red Bull, acredita que haverá uma mulher no grid da F1 em no máximo uma década. Horas mais tarde, María de Villota, filha do ex-piloto Emilio de Villota, foi anunciada como a nova test-driver da Marussia para 2012.

Para que a previsão de Horner se concretize, é preciso haver uma mudança na filosofia do automobilismo europeu, base da F1. Oficialmente, apenas cinco mulheres já guiaram um carro da categoria: Maria Teresa de Filippis, Lella Lombardi — única a marcar um ponto —, Divina Galica, Desiré Wilson e Giovanna Amati, a última delas, há duas décadas.

Talvez uma década seja um espaço de tempo muito curto para uma mudança tão grande de postura e aceitação da mulher em um esporte tão fechado. A situação é muito diferente, por exemplo, nos Estados Unidos.

O número de pilotas (diga-se de passagem, a expressão ‘pilota’ é correta, por mais estranho que possa parecer) na América é crescente e atrai competidoras da Europa, sem espaço para desenvolver suas respectivas carreiras no ‘Velho Mundo’. Bia Figueiredo e Sabrina Kuronuma são exemplos de brasileiras que tentam construir a carreira em solo norte-americano.

Sem contar o sucesso de Danica Patrick e a competência exibida ao longo dos últimos anos por Lyn St. James, Sarah Fisher e Simona de Silvestro, por exemplo. Algumas não mandaram tão bem, é verdade, como Milka Duno, mas outras têm condições de mostrar talento e nada devem a muitos pilotos de lá, caso de Katherine Legge. Então dá para concluir que para uma mulher vencer no automobilismo, os Estados Unidos são o melhor caminho, e talvez, o único.

Em outra frente, María de Villota tenta quebrar essa escrita do automobilismo europeu, mais conservador. A Marussia ganhou mídia e virou notícia no mundo inteiro ao anunciar a contratação da pilota espanhola, que há tempos vem tentando um lugar na F1. Com exceção dos testes de Abu Dhabi, dificilmente María vai ter condições de ter alguma grande experiência pela equipe russa, mas isso deve ajudá-la a entender como funciona o ambiente da categoria.

María teve carreira apenas discreta por onde passou — F3 Espanhola, WTCC, F-Superliga por exemplo — e não deve ter condições de fazer muita coisa como test-driver. Talvez, caso De Villota queira mesmo se desenvolver como pilota, os Estados Unidos parecem ser o rumo mais lógico, já que dinheiro parece não faltar a ela.

Enquanto María de Villota tenta dar um passo decisivo em sua carreira como pilota, lá na base, Vicky Piria começa a trilhar seu caminho no automobilismo. Se fosse só em termos de beleza, ela já seria campeã mundial, fácil fácil. Mas comentários elogiosos à parte, é preciso de resultados e oportunidades para a construção de uma carreira sólida. Esse é o desafio de Piria, esse é o desafio das meninas que tentam o sucesso na F3 Espanhola: mostrar potencial para iniciar uma mudança de filosofia no automobilismo europeu e fazer valer a previsão de Horner.

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Milka Maravilha

JOÃO PAULO BORGONOVE [@Borgo_]

E a Milka, heim? Entrou em observação na Indy durante a etapa de Edmonton. Se não melhorasse, seria taxada de Yuji Ide da Indy, ou seja, seria proibida de correr na categoria, assim como foi o japonês na F1.  

Não vou crucificar Milka Duno. Não. Ela não tem culpa. Deixaram ela pilotar e é isso que ela está fazendo. Milka não tem culpa, a culpa é da Indy.

Mas Milka não mudou. Tivemos dois mistos após a ‘chamada na chincha’, como diria Fernando José da Silva – não o do Grande Prêmio, mas o Portu, um amigo ranzo e homônimo do serelepe de Sumaré –, e Milka seguiu conhecendo as áreas de escape. Lenta, sempre lenta, também atrapalhou muita gente nos treinos e nas corridas.

Milka não mudou. Nos dois ovais seguintes, vez ou outra, fugiu da última colocação, ficando à frente de carros como os da equipe de Sarah Fisher, equipe muito mais fraca que as demais. Mas Milka era lenta e sempre via Alex Lloyd, seu companheiro de Dale Coyne – e novato –, nas posições intermediárias.

Seguem alguns vídeos de pilotos reclamando de Milka e com Milka. O da Danica é velho e acho
que até já foi colocado no blog, mas o do Hunter-Reay, em Watkins Glen, eu nunca tinha visto.

Pois é. No primeiro, Danica reclama de uma fechada de Milka, que diz que Patrick gosta de dar show. No segundo, Hunter-reay diz que, se Milka que pilotar tão devagar, que use os espelhos. Isso antes de a venezuelna ficar sob observação.

É. Com essa sensível melhora financeira na Indy e com equipes novas entrando, dificilmente veremos Milka enchendo o grid em 2011. Se for barrada, pelo menos a veremos tentando se classificar para as 500 Milhas. Não será a ‘morte’ de Milka, afinal.

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Ladies first



JOÃO PAULO BORGONOVE

A etapa de Chicago da Indy teve cinco mulheres dentro dos velhos Dallara, todas no grande círculo da cidade de Joliet. Danica Patrick, Milka Duno, Simona de Silvestro, Sarah Fisher e Bia Figueiredo enfim correram todas juntas na categoria. E isso é bom. Bom mesmo.

Essa característica da Indy, de trazer pilotos pelo marketing, proporciona muito esse tipo de coisa. Mas, cá entre nós, das cinco, somente Milka não tem habilidades. A venezuelana, coitada, sofre nos mistos e faz ‘menos feio’ nos ovais. Mas é fraca.

As outras, não. Danica, ao contrário do que muitos dizem, não é uma pilota ruim. Longe disso. A norte-americana tem lá seu marketing, mas evoluiu muito nos circuitos mistos, principalmente nas corridas. E nos ovais é sempre forte. E não dá pra falar mal dela. Eu a vejo com pilotagem mais avançada que Dan Wheldon, por exemplo, que já foi campeão da categoria – quando os ovais predominavam. (A Bruninha, do DanicaMania, também tem essa teoria) E esse não vai bem nos mistos, mesmo.

Sarah é da velha escola e, quando pode, manda bem. É dona da equipe que corre e, convenhamos, é o pior time desse ano. Mas mesmo assim tem conseguido bons resultados.

Simona é a surpresa agradável. Vinda da Atlantic, que só corria em mistos, a suíça surpreendeu o mundo da Indy nesse tipo de pista, principalmente nas classificações. Tem futuro, a moça.

Bia, coitada, penou, mas conseguiu participar de três corridas, todas pela Dreyer & Reinbold. Foi bem e deixou sua marca. Busca disputar a próxima temporada completa. Torço por isso. Mais empresas brasileiras poderiam investir nela.

E assim segue a Indy, sempre com mulheres no grid. Só não me venham com essa balela de criar um campeonato paralelo para as ladies. Elas estão ai pra disputar com os marmanjos de igual para igual.

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