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De carona com o Juninho

JULIANA TESSER [@JulianaTesser]
de São Paulo

Há exatamente uma semana, Victor Martins, que também atende por chefe, chegou à redação virtual do Grande Prêmio perguntando se eu já tinha visitado o Rio de Janeiro. Contei a ele que sim, na minha viagem de formatura da oitava série (o que, na prática, foi quase no mês passado). Foi um daqueles passeios fajutos que a gente faz com o colégio e que, no meu caso, resultou em uma ida à Búzios e Cabo Frio com direito a uma rápida parada no Rio.

Não, ninguém nunca me contou que nós iríamos ao Pão de Açúcar e não ao Cristo Redentor. Eu teria protestado! Mas isso não vem ao caso…

Foi então que o chefe me contou que eu iria para o Rio cobrir a etapa carioca da F-Truck. Achei legal ir conhecer Jacarepaguá antes de destruírem o circuito (o que eu acho uma tremenda sacanagem, idiotice, pilantragem, e etc.), além de acompanhar uma categoria da qual eu já havia escutado muitos elogios – inclusive do meu irmão.

Cheguei em terras cariocas na sexta-feira e fui direto para o autódromo. Depois de acompanhar os treinos livres, estive no box da Ford para conversar com o Djalma Fogaça. O Danilo Dirani tinha sofrido um acidente no segundo treino livre que danificou bastante o caminhão, mas o chefe do time estava confiante de que poderiam correr.

No sábado foi a vez de conversar com Neusa Navarro Félix, presidente da categoria, acompanhar o último treino livre e a sessão classificatória que, além da pole do estreante Christian Fittipaldi, provou que Fogaça estava certo, já que Dirani colocou o caminhão 70 na terceira colocação do grid.

E aí chegou o domingo. Dia de corrida é sempre o mais divertido. E corrido também. O dia começou com uma entrevista com a Talula, a modelo que foi do BBB e que hoje guia o Pace Truck. A conversa, claro, contou com uma aprovação recorde de um membro da redação, mas eu não posso dizer quem foi.

E aí eu estava lá, quietinha trabalhando, quando recebi um convite da assessoria da F-Truck para pegar uma carona em um dos caminhões durante o show. Achei uma ideia bem legal. Eu nunca tinha andado em um carro/ caminhão de corrida. Topei, claro.

Era quase meio dia quando vieram buscar a mim e a Karina, jornalista que também participou desta aventura, para irmos para o caminhão. Na saída do ônibus de imprensa nós conhecemos o Juninho, filho do Aurélio e da Neusa, que deram vida à categoria. O mais novo da família Navarro Félix era um dos pilotos que guiaria um dos três caminhões que participam do show.

Minha primeira reação foi perguntar se ele sabia mesmo fazer aquilo. Ele sorriu e eu achei melhor ficar quieta antes que ele decidisse descontar na pista quando eu estivesse no caminhão.

Quando estávamos todos na pista, o Juninho e suas irmãs Dani e Gabi, foram para o circuito verificar os pneus dos caminhões. Eu achei isso ótimo, segurança em primeiro lugar.

Só que ali eles já deram uma mostra do que vinha pela frente. Eu pensei em sair correndo e me esconder pela próxima meia hora, mas achei que seria indelicado.

Entrei no caminhão do Juninho, coloquei o cinto e fiquei pensando: ‘Ai, Deus, onde eu fui me enfiar?!’.

Quando ele entrou no caminhão e começou a se preparar, eu tive mais uma das minhas ideias brilhantes:

– Você faz isso há muito tempo?

– Ah, faço. Desde os 12 anos.

Eu não sei quantos anos ele tem e confesso que tive medo de perguntar. Vai que ele me responde menos do que eu esperava, né…

Como ‘tortura’ pouca é bobagem, quem começava o show era a Dani, seguida pela Gabi e ele em último. O que, na prática, significa que eu fiquei na pista, dentro do caminhão, assistindo tudo que aconteceria na sequência.

Antes de sairmos, foi a vez dele fazer as perguntas:

– Está com medo?

– Não, magina.

– Não, sério?

– Um pouco. (O que, aquela altura, significava muito)

Quando ele começou a acelerar, eu pensei: ‘Ah, é legal. Vai ser fácil.’ AHAM! Isso, obviamente, só durou até a primeira manobra. Eu nunca soube que um ser humano podia tremer tanto. Fechei o olho e não vi nada nos primeiros minutos, mas isso, lógico, não ajudou em nada. Eu logo percebi que aquela história de que o que os olhos não veem, o coração não sente é uma das maiores lorotas da história da humanidade. Sente, sim senhor.

Aí eu pensei: ‘Bom, já que eu estou aqui, melhor aproveitar.’ Abri o olho e cada vez que via ele perto do murinho da pista de Jacarepaguá, eu pensava: ‘Putz, ninguém cuida desse autódromo tem um tempão. Se ele erra esse negócio, alguém vai se machucar.’ O que, provavelmente, incluía eu, ele e as pessoas que estavam lá.

Ah, tinham também os fotógrafos. Eu conheci alguns deles ao longo da vida, mas nunca soube que eles eram tão irresponsáveis (palavra que ficou na minha cabeça no trajeto entre o autódromo e o aeroporto, graças a um taxista maluco e ao José Mario Dias, único fotógrafo com 100% de aproveitamento em provas de rali, como eu descobri mais tarde).

Ao invés de ficarem (teoricamente) protegidos atrás da mureta, eles insistiam em ficar bem próximos dos três caminhões. O que é uma sandice sem tamanho. E eu pensava: ‘Caramba, se ele erra, eu vou ter que escrever que alguém morreu e eu realmente não gosto de fazer isso.’

E o show continuou. Quando se aproximava do final, Juninho começou a rodar na frente da arquibancada e me distraí olhando para o lado direito. Quando olhei de volta: ‘Onde foi o rapaz que estava aqui?’

Sim, ele saiu do caminhão e foi dar um oi para as pessoas. E me deixou sozinha. Sem aviso. Com o caminhão rodando. Foi a primeira vez que eu rezei dentro do caminhão. Tenho impressão que confundi o Pai Nosso com a Ave Maria, mas acho que Deus vai me perdoar por esse lapso.

Nos primeiros instantes eu olhava para fora e não via nem sinal do garoto que deveria estar sentadinho do meu lado. Tinha muita fumaça, sabe. Quando eu finalmente o encontrei, tive a impressão de que ele estava voltando para onde nunca deveria ter saído, mas isso não aconteceu.

Eu continuava dentro do caminhão e ele lá fora. Quando vi que rezar não ia adiantar nada, me dediquei a tirar de cima de mim os pedaços de pneu que tinham entrado pela janela. Isso, claro, não serviu para nada.

De repente, eis que Juninho volta ao caminhão. O que deu um certo alívio. Não que eu não tenha confiado nele desde o início, mas depois de umas 300 horas, digo, alguns minutos dentro do caminhão, já tinha ficado mais fácil. Era, definitivamente, melhor quando ele estava controlando o caminhão.

Ele olhou com aquela cara de que nada tinha acontecido e eu até pensei em reclamar, mas, como eu ainda estava dentro do caminhão e no meio da pista, achei que era mais conveniente ficar calada.

E o show continuou. Naquela altura tudo já estava mais simples. Eu tinha parado de tremer, embora ainda fechasse os olhos em alguns momentos, principalmente quando ele ia perto demais da parede. Levei mais um único susto: quando ele e a Dani decidiram brincar de bate-bate. (Eu sempre gostei de bate-bate, mas daquele que eu brincava no Playcenter quando era criança. Esse de Jacarepaguá pareceu mais com aquela cena do Pearl Harbor quando o Rafe e o Danny decidem ver ‘quem aguenta mais com esses japas’. E, sim, eu me sentia o japonês).

O tempo todo você sabe que eles não vão errar (ou, pelo menos, torce), mas dá medo do mesmo jeito. E eu nunca vou acreditar em alguém que diga que não dá. Dá medo, e pronto.

Eu até pensei em perguntar se eles já tinham errado alguma vez, mas, de novo, achei melhor ficar quietinha e não desconcentrá-lo. (Soube mais tarde que eles nunca erraram, só tiveram uns toques e uns retrovisores arrancados.)

Acho que o show durou mais uns cinco minutinhos – numa medida até que realista – e aí fomos parar o caminhão. Bom, se nós tínhamos sobrevivido aos 25 minutos de show (acho que foi isso que durou), não ia ser na hora de estacionar que teríamos problemas.

Depois de um tempão pensando que aquela porta iria abrir a qualquer momento e alguém teria que contar aos meus pais que eu tinha virado patê, eu percebi que eu não fazia a menor ideia como sair do caminhão. O Juninho me explicou e quando eu saí encontrei com a Karina, que também voltava do passeio com a Dani.

Logo que saímos do caminhão, algumas pessoas pararam o Juninho para tirar foto com ele. Eu esperei, agradeci pelo passeio e saí correndo para ligar para casa e contar que eu estava bem. (Tenho certeza que minha mãe rezou mais do que eu.)

Depois eu voltei para o ônibus de imprensa para acompanhar a corrida e escrever o texto pro Grande Prêmio.

Ah, sim. Eu esqueci de contar que durante todo o tempo em que eu estive no caminhão, eu fiquei me segurando na porta e no banco. Deve ser por isso que hoje eu mal consigo mexer o braço.

Contando assim, pode parecer que a carona foi uma tortura e que eu me arrependi de ter ido. Bom, se você acha isso, entendeu tudo errado. Eu me diverti para caramba. Só me resta agradecer a F-Truck pelo convite e ao Juninho por ter deixado eu voltar inteira para casa. Valeu!

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BBB-Truck


JULIANA TESSER [@JulianaTesser]
de Jacarepaguá

Uma das novidades da F-Truck na temporada de 2012 está no Pace Truck, caminhão que atua na sinalização aos pilotos no momento da largada e, sob orientação da direção de prova, faz as intervenções necessárias à corrida.

Neste ano, a condução do veículo ficará a cargo da modelo e ex-participante do Big Brother Brasil, Talula Pascoli. Em Jacarepaguá, onde acompanha a etapa deste domingo (1), a modelo conversou com o BloGP e contou sobre a experiência.

“Foi um convite de um empresário que eu já trabalho. Ele me perguntou se eu dirigia e aí me falou que tinha uma proposta para trabalhar como Pace Truck e eu falei: ‘Olha, dirigir carro, eu dirijo, mas caminhão eu nunca dirigi’. Mas ele falou quer era simples, que eu iria ter algumas aulas e que era tranquilo. Que a antiga Pace, a Mariana [Felício], nem carta tinha quando foi participar e aí ela teve que tirar rápido assim”, contou. “E aí foi assim. Eu vim uns quatro dias antes da competição e treinei bastante na pista, fiquei super segura, foi bem tranquilo. Na verdade, é muito simples dirigir caminhão, só muda a quantidade de marchas. É a mesma coisa de carro, a única diferença é que é um pouco mais alto e tem um pouquinho mais de marcha”, avaliou.

Talula se mostrou muito animada com a nova função e destacou que já sente a diferença ao guiar seu próprio carro.

“É uma função muito importante, que depende da gente. E tem a adrenalina mesmo, é muito gostoso. Eu estou fascinada, apaixonada. Fico sentindo falta”, afirmou. “Eu falo: ‘Ah, gente, que demora para chegar outra etapa! Aí quando eu saio daqui, que eu fico três dias com o caminhão, que eu chego e vou dirigir o meu carro eu falo: ‘Ai, que desempolgante dirigir um carro pequeno, não tem marcha! Esse carro não vai’. É muito bom, é muito bom. É uma delícia.”

Apesar de novata na categoria e na função, a modelo conta que já trabalhou em outros eventos automobilísticos, como a F1 e a Stock Car. “Eu era promotora de eventos, fiz aqueles guarda-chuvinhas da vida, trabalhei muito na F1. Antes de ser modelo eu trabalhava como promotora, então eu fiz Stock Car, fiz quase todos os eventos de automobilismo.”

Animada com a experiência, Talula não descarta deixar a passarela e se dedicar ao esporte a motor. “Não sei. Não pensei, porque também não surgiram propostas, mas quem sabe, né?”, afirmou, reconhecendo que se tiver um convite, aceita na hora “Eu vou, fácil. Adorei, eu adorei. É tranquilo, eu achei muito tranquilo. Eu gostei muito, achei bem bacana. E eu acho muito gostoso velocidade. Bom, eu falei até quando eu fechei: ‘Velocidade não é problema, eu estou sempre atrasada, correndo igual uma louca, só vai mudar das ruas para a pista’.”

”Mas foi muito bom assim. Foi muito bacana, eu estou apaixonada. Quem sabe, né. Se, de repente, surgir uma proposta eu não troco a profissão de modelo por piloto?”, encerrou.

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Da privada para o privado

JOÃO PAULO BORGONOVE [@Borgo_]

A maioria dos autódromos do Brasil estão em estado deplorável, e isso não é novidade pra ninguém. Estrutura de várzea, buracos, falta de segurança. Tudo isso faz parte de uma triste realidade. Interlagos e Curitiba, bem administradas, são exceção. O Velopark é novo, mas tem um diferencial – e que vai sempre mantê-lo moderno e bem cuidado: é de propriedade particular, um centro de automobilismo com várias fontes de renda.

Isso dá certo, porque se o autódromo não estiver bom, o dono não vende seu produto e, com isso, não ganha dinheiro. As condições para o público também são boas, já que os donos também fazem dinheiro com lojas e lanchonetes alocadas dentro das acomodações.

Nos EUA é assim, mas vou usar a Inglaterra, que é um bom exemplo, um pouco mais próximo da realidade das nossas pistas. Circuitos de longa data, a maioria construídos em antigos aeroportos militares, têm se modernizado, mas sem dinheiro do governo. Todos são financiados por empresas de gerenciamento, sempre buscando melhorar seus produtos.

A maior investidora nesse segmento é a Motorsport Vision, empresa encabeçada pelo ex-piloto Jonathan Palmer, que, além de gerir circuitos, também cuida de categorias, como a F2. A empresa cuida das estruturas de Brands Hatch, Oulton Park, Cadwell Park e Snetterton. Silvertone é gerida pela Octagon, enquando Donington Park pertence à família Wheatcroft.

Silverstone, a principal pista inglesa – ou até a principal da Europa – passou por recentes reformas, aumentando seu traçado, melhorando áreas de escape e, para o próximo ano, a estreia de um novo paddock está prevista. Havia perdido a F1, mas voltou a recebê-la, já que Donington Park não conseguiu concluir suas obras para receber a categoria.


Silverstone ganhou maior traçado e estreará novo paddock

Mas a história de Donington é mais complicada. Uma empresa foi criada para coordenar as reformas e o GP da Inglaterra a partir de 2010, mas ela falhou. E essa falha pode ser creditada ao adoecimento – seguido da morte – de Tom Wheatcroft, apaixonado por automobilismo e milionário, que comprou a pista em meados dos anos 90. Tom morreu no final do ano passado e, poucas semanas depois, Bernie Ecclestone definiu que Silverstone continuaria com a corrida, já que as obras estavam muito atrasadas.

Mas Tom não cuidava das reformas. Quem cuidou disso foi a Donington Ventures Leisure, que quebrou. A pista voltou às mãos da família Wheatcroft e, após um ano inativa, reestreia no final desse ano com categorias de carros antigos. Do traçado original, pouca coisa foi alterada. Ano que vem deve voltar a receber as grandes categorias da Inglaterra.

Já as pistas da Motorsport Vision seguem em plena evolução. Brands Hatch, após a decaída de Donington, tornou-se a segunda pista mais importante da Inglaterra nos dias atuais, recebendo categorias inglesas, europeias e mundiais. Tem boa estrutura, mas segue sendo uma das pistas mais perigosas do mundo, mais por conta de suas características que por negligência.

Oulton Park, criada em 1950, recebeu uma repaginada em 2007 e ficou mais moderna e segura. Já Snetterton vai receber uma repaginação a partir do início do próximo ano, ganhando novo paddock e um novo traçado, bem maior que o original, que será mantido, vale lembrar. Cadwell Park não suporta grandes eventos, mas, se Palmer seguir com os investimentos, logo veremos a charmosa pista – que em determinada parte faz com que as motos saiam do chão após um salto, devido ao relevo – volte a figurar nos campeonatos mais importantes.


Sneeterton se moderniza e ganha novo traçado

Essa é a realidade das pistas inglesas. Tem lá suas bagunças, como em todos os lugares, mas está funcionando. O mercado pede essa evolução. Pode ser efeito das atuais conquistas de Lewis Hamilton e Jenson Button? Pode, sim. E, com pistas boas, bons pilotos ingleses estão surgindo novamente. Tendo onde correr, eles surgem, mesmo.

Onde quero chegar é: as pistas brasileiras precisam de um mantenedor próprio, separado das prefeituras e do Governo. Dá muito gasto e pouco lucro. Seria uma privatização dos autódromos, então? Sim. Por que não? O povo, o cidadão, tira algum proveito do autódromo? Que eu saiba, não. Na verdade, nas mãos de empresas, a qualidade aumentaria, e com isso, novas categorias e novos públicos chegariam à cidade, o que se torna rentável para toda a população.

Esse tipo de privatização não faz mal ao cidadão comum, diferentemente de estradas, energia, educação e saúde. Pode parecer um absurdo, mas pense bem, não é. É só ler os elogios ao Velopark. Toda categoria quer correr lá.


Velopark é um parque de diversões para quem gosta de corridas

Piracicaba inaugurou um autódromo nesse final de semana. É um passo. Precisa evoluir muito, ainda. E vai, já que os organizadores querem ver retorno em seus investimentos. É um caminho que, creio eu, deve ser seguido.


Piracicaba asfalta autódromo de terra e segue evoluindo

Tarumã é privado, eu sei, mas não é cuidado com o devido merecimento. O lucro do autódromo é obtido, principalmente, de ‘rachas’ – denominação usada por eles, com a campanha de promover competições ao cidadão comum. Consegue se manter, mas não evolui e, por isso, perdeu os principais eventos do País.

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Corinthians e o automobilismo brasileiro, uma relação vitoriosa

FERNANDO SILVA

Um dos clubes mais populares do Brasil comemorará nesta quarta-feira (1), 100 anos de história, conquistas, sofrimento e glórias. Mas você haverá de perguntar. O que o Corinthians tem a ver com automobilismo, nosso tema principal aqui? Muito, meu caro.

Para ficar apenas no campo da F1, dá para elencar pilotos do passado e do presente identificados com o time. Há relatos que Emerson Fittipaldi disputou várias provas nos anos 70 com a camisa do Corinthians por baixo do macacão, justamente na época do jejum de títulos alvinegro, época que teve fim em 1977. Foi o primeiro piloto brasileiro de grande destaque internacional a assumir a paixão pelo clube e inaugurar uma relação vitoriosa.

Ayrton Senna também se declarou torcedor do Timão, mas não roxo, como o próprio piloto confirmou em entrevista ao “Roda Viva” da TV Cultura, em 1986. Entretanto, o sucesso daquele que anos mais tarde seria tricampeão de F1 fez a torcida alvinegra adotá-lo como um dos símbolos do corintiano que deu certo. Até hoje, Senna é retratado em bandeiras e camisetas que também remetem ao Corinthians.

Quem também assumiu a paixão pelo clube alvinegro de Parque S. Jorge foi Rubens Barrichello. O paulistano é visto frequentemente circulando pelo paddock dos autódromos pelo mundo com a camisa do clube. Recentemente, o piloto da Williams, que também comemorou uma marca centenária nesta semana — 300 GPs —, esteve presente à sede do Timão e foi recepcionado por Ronaldo e Roberto Carlos. Ainda sobre os pilotos da atual temporada, Bruno Senna também herdou a preferência futebolística do tio.

Mas a presença do Corinthians não se resume apenas à torcida dos pilotos. Muito pelo contrário até. Embora seja considerada mais uma ação agressiva de marketing do que uma intenção de se firmar no automobilismo, o fato é que 2010 marcou a ascensão do alvinegro nos autódromos do Brasil. Desde a elitistas Stock Car e GT Brasil, até a popular F-Truck, o time se faz presente, com relativo destaque. A presença do clube paulista nas pistas não se resume somente ao Brasil, já que também compõe o grid da F-Superliga [a exemplo do Flamengo] há dois anos.

Se não dá para dizer que a história do Corinthians se confunde com o automobilismo brasileiro em si, é possível concluir que ambos têm uma história semelhante: superação, lutas, suor, lágrimas, derrotas, vitórias, fracassos e muitos títulos. Que venham muitos outros centenários.

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Senna por Da Matta

Felipe Paranhos

Ontem, conversei com Cristiano da Matta sobre as memórias que ele tinha do Ayrton Senna em sua carreira. Como são de gerações diferentes (o piloto mineiro tem 36 anos), a influência do tricampeão nos passos de Cristiano foi, por assim dizer, virtual. Mas, mesmo assim, a força que Ayrton teve no automobilismo europeu e as pegadas que deixou no mundo do esporte-motor chegaram a seduzir Da Matta a não tomar o caminho dos Estados Unidos, no início da segunda metade da década de 1990.

Na ótima conversa que tivemos, ele falou um pouco também sobre a trajetória dele. Curtam aí.

“A imagem que ficou dele lá fora é aquela que ele criou — que os resultados que ele conseguiu criaram, na verdade, né? Ele é sempre visto como um cara da velocidade, um dos maiores que já existiram — pra não dizer o maior, na verdade. É opinião de 100% das pessoas do meio.

Durante o crescimento no automobilismo, ter um cara como ele para olhar é algo que não tenho palavras para descrever. Já para seguir, não é muito fácil se espelhar naqueles passos, mas ter alguém para se espelhar e tirar algo de bom, aprender, foi ótimo, não tem o que falar.

[Quando Senna morreu,] Eu era novo no automobilismo, estava começando a fazer F-Ford, estava para começar a F3. Eu estava naquela parte de aprendizado, ainda começando a dirigir fórmula. Só de assistir correr já era bom para quem queria caçar coisa para aprender, procurar. Era um exemplo fantástico.

Essa parte [deixar a Europa] é sempre muito díficil. Naturalmente, a maior parte dos pilotos tem como objetivo final a F1, porque é para onde todo mundo alimenta o sonho. Mas para mim foi engraçado, porque naquela parte eu tive que tomar a decisão de abandonar a europa porque estava ficando cada vez mais difícil, precisando de dinheiro, de patrocinador, para subir. Era caro, quase impossível. E nos Estados Unidos as perspectivas eram mais realistas, existiam muito mais oportunidades.

É claro que a F1 pesava na nossa cabeça, mas tem horas que tem ter pé no chão, ser menos emoção. Eu dei muitas voltas, mas de um jeito ou de outro cheguei lá. Hoje, acho que eu fiz o caminho certo, embora seja difícil dizer como seria se eu tivesse feito diferente. Eu consegui chegar contratado, sem ter de levar um centavo de patrocínio. Não é como um grande resultado ou uma vitória, mas chegar lá sem dinheiro, sem patrocínio pra levar era uma coisa complicada. Sempre tive sorte e bom relacionamento com as montadoras. Mas, quando eu tive que decidir, era difícil colocar o pé no chão pensando no Senna e na situação que ele teve lá.”

Grande cara, o Cristiano. Que seja feliz com a Iveco na Truck.

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A cobertura que não acabou

O material colhido na cobertura da F-Truck e da Top Race V6 em Interlagos ainda não acabou. Entre hoje e quarta, vou publicar mais alguns textos no Grande Prêmio e aqui no BloGP. Posso adiantar assuntos interessantes, como a opinião de alguns argentinos que estavam lá sobre o surto da gripe A no nosso país vizinho e uma breve análise da F-Truck um ano depois da morte de seu fundador, Aurélio Batista Félix.

Também queria deixar uma ressalva sobre um post mais abaixo, “Treino é treino, jogo é jogo”. Falei sobre a falta de comida na sala de imprensa na sexta e sábado, queria destacar que foi uma brincadeira. Esse aspecto é bobo, não é a falta de alimentos, que é uma cortesia da organização, que vai atrapalhar nosso trabalho ou o trabalho de quem cuida da categoria. Podia parecer que era uma crítica, mas não era.

Não tenho nada a reclamar da assessoria da Truck e da Top Race, sempre solícitos e prontos para o ajudar. É isso!

Marcus Lellis

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Gripe A não afastará Truck da Argentina, garante Neusa

A Argentina é um dos países mais afetados pela gripe A – com 137 mortes causadas pelo vírus, é o lugar com o segundo maior número de vítimas fatais, perdendo apenas para os EUA (211), de acordo com relatórios oficiais. Para não ter de desfazer o acordo para a vinda da Top Race V6 para o Brasil, a F-Truck tomou todas as providências com o Ministério da Saúde e outras autoridades para garantir a presença da delegação argentina em São Paulo. Mas esse acerto tem duas mãos, já que a categoria brasileira também vai visitar os “hermanos”, em Buenos Aires, em setembro. Com a epidemia da doença na Argentina, questionou-se a viabilidade da prova. Algo que a presidente da Truck, Neusa Navarro Félix, rechaçou.

“Com certeza, a corrida vai acontecer, sim. Nós tivemos todos os cuidados com a vinda deles para cá. Consultamos todas as autoridades de Saúde. A nossa ida para lá só vai deixar de acontecer se for por uma impossibilidade, caso não possamos entrar lá ou sair daqui, o que acho difícil de acontecer. Até setembro, tudo deve estar resolvido”, afirmou Neusa.

A segurança da dirigente é tanta que nem há um projeto paralelo à prova de Buenos Aires no caso de ter de cancelar a etapa argentina. Não existe plano B. O plano A tem de acontecer. Com certeza, iremos para lá”, falou Félix, garantindo um sonho de seu falecido marido, Aurélio Batista Félix, de ultrapassar as fronteiras com a F-Truck.

Marcus Lellis

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Treino é treino, corrida é corrida

Já dizia Didi, não o Mocó, mas o falecido jogador, bicampeão mundial pela Seleção Brasileira de futebol: “Treino é treino, jogo é jogo”. No automobilismo, também. Treino é treino, corrida é corrida. O clima no autódromo de Interlagos para as etapas da F-Truck e Top Race V6 neste domingo é bem diferente do que sexta e sábado. O agito no pit-lane é mais intenso. Pessoas indo e vindo para lá e para cá, maior agitação de torcedores nos boxes, aquela festa.

Na sala de imprensa, uma mudança é clara. Temos comida aqui! Sim, porque nos dias de treinos, só havia água e mais nada. Mas a organização providenciou quitutes para hoje. Fome, nunca mais.

Marcus Lellis

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A comemoração, digamos, efusiva pela pole

Wellington Cirino partia para sua tentativa de marcar a pole-position da etapa de São Paulo da F-Truck. Como ele havia sido o primeiro colocado da fase classificatória, que conta com intermináveis 90 minutos (para uma partida de futebol, vale, mas para uma fase classificatória de um treino de automobilismo?). Roberval Andrade tinha de torcer pela insucesso do adversário.

E aí, Cirino foi para a pista, tentou ao máximo superar a volta de Roberval, usou as zebras e tudo mais. Mas não teve felicidade ao cruzar a linha de chegada. Terceiro melhor tempo, também atrás de Felipe Giaffone. Foi quando se ouviu um alto e sonoro grito através do microfone do locutor da Truck em Interlagos: “Chuuuuuupa!”.

É óbvio que a pessoa que gritou isso estava torcendo fervorosamente para o Roberval, que garantiu a pole.

Marcus Lellis

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A internet ‘cai-cai’

O dia foi produtivo aqui em Interlagos. Muitas entrevistas, conversas sobe vários assuntos, teremos material para colocar no ar nas próximas horas. O problema é que a internet aqui da sala de imprensa (sala, mesmo, hoje não estou no caminhão) não está colaborando. Muito difícil para manter uma conexão firme, cai a toda hora. Isso que é o saco de trabalhar fora do seu habitat natural.

Não estou com uma máquina fotográfica em mãos, o que é uma pena. Gostaria de mostrar as “chicas” argentinas de promoção que estão desfilando por aqui.

Marcus Lellis

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Invasão da “prensa” argentina

Impressiona o número de jornalistas argentinos que vieram cobrir a etapa brasileira da Top Race V6, em Interlagos, preliminar da F-Truck. São entre 30 a 40 “periodistas”. E das mais diversas mídias.

Tem rádio, TV, jornal e internet. Sete emissoras de rádios estão aqui cobrindo a prova. Quatro canais de TV, incluindo a ESPN e a FOX Sports. Representantes de grandes jornais, como o Olé e o Clarín, também estão aqui.

Mas, por enquanto, a “prensa” argentina não está tão enturmada com a brasileira. Está cada um em seu canto. Devido à massa de argentinos, há uma sala de imprensa exclusiva para eles.

Marcus Lellis

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A sala no caminhão

Já estou em Interlagos para a cobertura da F-Truck e da Top Race V6. Nunca estive na F-Truck. O que me impressionou é uma das três salas de imprensa. Ela fica dentro de um caminhão. Mais F-Truck, impossível. Hoje, vou trabalhar dentro de um caminhão.

Marcus Lellis

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