O duro caminho das mulheres na Europa e a alternativa norte-americana


FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Vicky Piria

Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, chamou a atenção duas notícias relacionadas à F1. A primeira delas: Christian Horner, chefe de equipe da Red Bull, acredita que haverá uma mulher no grid da F1 em no máximo uma década. Horas mais tarde, María de Villota, filha do ex-piloto Emilio de Villota, foi anunciada como a nova test-driver da Marussia para 2012.

Para que a previsão de Horner se concretize, é preciso haver uma mudança na filosofia do automobilismo europeu, base da F1. Oficialmente, apenas cinco mulheres já guiaram um carro da categoria: Maria Teresa de Filippis, Lella Lombardi — única a marcar um ponto —, Divina Galica, Desiré Wilson e Giovanna Amati, a última delas, há duas décadas.

Talvez uma década seja um espaço de tempo muito curto para uma mudança tão grande de postura e aceitação da mulher em um esporte tão fechado. A situação é muito diferente, por exemplo, nos Estados Unidos.

O número de pilotas (diga-se de passagem, a expressão ‘pilota’ é correta, por mais estranho que possa parecer) na América é crescente e atrai competidoras da Europa, sem espaço para desenvolver suas respectivas carreiras no ‘Velho Mundo’. Bia Figueiredo e Sabrina Kuronuma são exemplos de brasileiras que tentam construir a carreira em solo norte-americano.

Sem contar o sucesso de Danica Patrick e a competência exibida ao longo dos últimos anos por Lyn St. James, Sarah Fisher e Simona de Silvestro, por exemplo. Algumas não mandaram tão bem, é verdade, como Milka Duno, mas outras têm condições de mostrar talento e nada devem a muitos pilotos de lá, caso de Katherine Legge. Então dá para concluir que para uma mulher vencer no automobilismo, os Estados Unidos são o melhor caminho, e talvez, o único.

Em outra frente, María de Villota tenta quebrar essa escrita do automobilismo europeu, mais conservador. A Marussia ganhou mídia e virou notícia no mundo inteiro ao anunciar a contratação da pilota espanhola, que há tempos vem tentando um lugar na F1. Com exceção dos testes de Abu Dhabi, dificilmente María vai ter condições de ter alguma grande experiência pela equipe russa, mas isso deve ajudá-la a entender como funciona o ambiente da categoria.

María teve carreira apenas discreta por onde passou — F3 Espanhola, WTCC, F-Superliga por exemplo — e não deve ter condições de fazer muita coisa como test-driver. Talvez, caso De Villota queira mesmo se desenvolver como pilota, os Estados Unidos parecem ser o rumo mais lógico, já que dinheiro parece não faltar a ela.

Enquanto María de Villota tenta dar um passo decisivo em sua carreira como pilota, lá na base, Vicky Piria começa a trilhar seu caminho no automobilismo. Se fosse só em termos de beleza, ela já seria campeã mundial, fácil fácil. Mas comentários elogiosos à parte, é preciso de resultados e oportunidades para a construção de uma carreira sólida. Esse é o desafio de Piria, esse é o desafio das meninas que tentam o sucesso na F3 Espanhola: mostrar potencial para iniciar uma mudança de filosofia no automobilismo europeu e fazer valer a previsão de Horner.

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15 respostas para O duro caminho das mulheres na Europa e a alternativa norte-americana

  1. Alexandre Lourenço -SP disse:

    Bom esse preconceito por “pilotas” só se for lá nas Europa por que nos EUA isso ja acabou faz tempo,no Brasil temos a nossa Bia, bem , na verdade acho que aki tem e muito PRECONCEITO ,gostaria de ver mais mulheres nas nossas pistas.Será que um dia isso muda e teremos cada vez mais candidatas?
    Na Mercedes Challenge temos a nossa querida Zizi Paioli, me lembrei agora!!!

  2. Diego disse:

    Não sou contra mulheres na F1, desde que mulheres decentes, porque essa de Villota até onde sei não tem condições de correr na F1, mesmo porque sua carreira foi discreta por onde ela passou e tem, se eu não me engano, 31 anos, e os pilotos mais velhos que que eu vi estrear na categoria nos últimos anos foram o Bruno Senna e Lucas di Grassi (26 anos) e o Pastor Maldonado (25 anos), pois as equipes preferem pilotos cada vez mais jovens, taí o Alguersuari que não me deixa mentir. Entrou com 19 anos (!), correu duas temporadas e meia e saiu com 21 anos (talvez tenha sido por queimarem etapas com o garoto que ele não vingou). Ano passado essa de Villota fez um teste na Lotus (a atual) e ainda disse que não ia ficar só por aquilo não. Aquele pessoal de Enstone é um bando de picaretas que não faz carro que preste e tenta chamar atenção de qualquer forma. Na Marussia, o contrato é aquele tipo de coisa que os dois lados saem ganhando: a pilota, que entra no circo (ainda que distante do picadeiro) e a equipe, que ganha um pouco de visibilidade e um pouco de grana (eles nunca deram vagas gratuitas, não é agora que vai ser diferente).

  3. Diego disse:

    Antes de mais nada, embora eu não vá com a cara dessa de Villota, eu gosto muito e torço pela Bia Figueiredo e tenho uma simpatia pela Simona de Silvestro (embora eu ache que ela entrou na maior roubada esse ano, com motor Lotus na sua HVM) e da Sarah Fisher, que eu não pude acompanhar sua carreira como pilota, mas vejo ele batalhando como dona de equipe.

  4. Jonas disse:

    Bom trabalho do Jornalisto.

  5. Wagner Demetrius de Melo e Silva disse:

    A Simona de Silvestro foi a única mulher que realmente mostrou serviço no automobilismo internacional, apesar da Danica ter vencido uma prova na indy em Motegi, não quer dizer que ela seja boa, ir para a Nascar foi uma decisão comodista dela e isso é minha opinião pessoal….
    Quero dar meus pesames pela péssima temporada da Bia Figueiredo no ano passado, porque infelizmente ela foi muito ruim mesmo. A Simona não, ela chegou a ficar entre os primeiros algumas vezes e botando pressão, coisa que eu não vi nas outras mulheres da indy.
    Quanto a Vicky, eu acredito que ela pode vencer e tudo mais, só que ela precisa ir além dos resultados, tem que fazer algo mais para impressionar. Finalizo dando meus parabéns a todas as mulheres e as pilotos pelo dia das mulheres, parabéns!!

  6. CRAZY disse:

    LINDA,MUITO LINDA…..PATROCINIO NAO VAI FALTAR….APROVEITANDO O ESPAÇO CADE FELIPE NARS…KKKKK.ESQUECAM DEPOIS DE BRUNO SENNA ACABOUUUUUU.

  7. CRAZY disse:

    DESCULPE NASR…

  8. Pedro José Carguero disse:

    Preconceito? Sério isso? Dá uma olhada na foto da Vicky que você postou. Se ela quiser virar modelo, vai lá.

    Igual a Villota mesmo, alguém aqui já viu ela correr? É um desastre. Enquanto existem umas Michèle Mouton por exemplo, que de fato, andam muito bem, surgem umas piadas estilo a bela aí de cima e a Danica, que pecam na habilidade.

    Mas pode acostumar que vocês verão isso direto. Enquanto existir fã trouxa que confunde a função de filmes adultos com automobilismo e gente que dá atenção, sempre existirão piadas e farsas no automobilismo. E viva Formula 1 que tem só 3 equipes sérias.

  9. LBM disse:

    Esqueceram a Maryeve Dufault (NAscar)

  10. Stephan disse:

    Se esqueceram da Suzane Carvalho, grande piloto(a). Estava uma vez no antigo kartodromo no Rio tocando um kart do meu cunhado e eis que ele passa tao rapido dando uma tremenda atravessada na entrada de uma curva que eu ate rodei! Talento, esperta, simpatica e bonita, sem duvida!
    Veja la: http://www2.uol.com.br/suzane/portugues/principal.shtml

  11. Al disse:

    Não esqueçam a Jutta Kleinshmidt!

  12. disse:

    Na Europa, a filha do Ickx construiu carreira sólida. http://www.vaninaickx.com/

  13. Gustavo Barreto disse:

    Me parece que esse preconceito rola mais na base, porque quando elas chegam e mostram competência, como a Danica e Sarah Fischer, elas conseguem se manter normalmente, como homem. Elas tem uma boa vontade do público, pois, por exemplo, se a Milka Duno fosse homem ela não teria durado tanto na Indy.

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