Não tá fácil pra ninguém

FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré

Que está cada vez mais caro sustentar uma carreira no automobilismo de alto nível, é fato. É comum ver pilotos, muitos deles cheios de talento, sucumbindo à falta de patrocínio. Os exemplos existem aos montes, aqui e lá fora. Quem resiste e insiste em triunfar no esporte a motor tem de enfrentar uma verdadeira epopeia em busca do tal do combustível financeiro.

Cada um, à sua maneira, tenta permanecer competindo. Giedo van der Garde, por exemplo, conta com a grana do sogro milionário, mas nem por isso o holandês conseguiu mais do que correr na GP2. Outros, como Bruno Senna, Pastor Maldonado e Sergio Pérez, têm mais sorte e conseguem unir o talento ao dinheiro de grandes investidores para dar sequência às respectivas carreiras na F1.

Que fique o registro: ser piloto pagante não é demérito algum; poucos são aqueles que não precisam de patrocínio para correr de carro hoje em dia.

Outros, sem contar com a ajuda de mecenas como Carlos Slim ou Eike Batista, buscam soluções alternativas. Na edição de dezembro de 2011 da Revista WARM UP, assinei com o hermanito Bruno Tarulli uma matéria com uma análise geral do automobilismo argentino. E escrevemos que Esteban Guerrieri, vice-campeão da Indy Lights, estava a ponto de ser confirmado na KV, formando assim um trio latino-americano com Tony Kanaan e Ernesto Viso.

Só que o experiente argentino, hoje com 27 anos, precisa arranjar patrocínio se quiser alinhar no grid da Indy neste ano. Jimmy Vasser, chefão da KV, rasgou elogios a Guerrieri durante a visita do piloto às instalações da escuderia em Indianápolis. Esteban chegou até a fazer o molde do assento no novo Dallara e tem a promessa de guiar o modelo até o fim do mês. Mas sua participação durante a temporada está vinculada ao dinheiro. Sem grana, adeus vaga e sem Indy 500 em 2012.

Sem saída e com o prazo curto — já que certamente há muitos outros interessados em uma vaga na KV —, Guerrieri iniciou uma campanha no Twitter para se garantir na Indy. O portenho apelou para o clamor popular dos fãs e também dará entrevistas nesta terça-feira (24) na TV Pública argentina, visando chamar a atenção das empresas e, principalmente, do Governo Federal. Esteban já indicou que é tudo ou nada: ‘Essa oportunidade não pode escapar’.

Realmente, não tá fácil pra ninguém.

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2 respostas para Não tá fácil pra ninguém

  1. Fernando Cruz disse:

    “Outros, como Bruno Senna, Pastor Maldonado e Sergio Pérez, têm mais sorte e conseguem unir o talento ao dinheiro de grandes investidores para dar sequência às respectivas carreiras na F1.”

    Relativamente a Bruno Senna faltou sorte e dinheiro em 2009 e 2010. Há 3 anos que o piloto chegou às portas da F1 e só agora vai ter uma oportunidade à altura do seu talento, isto se o Williams for melhor que o ano passado. Em 2009 teria entrado na Honda ou na Brawn por mérito mas faltou sorte (e dinheiro). Em 2010 faltou dinheiro para entrar numa equipa melhor do que a Campos/HRT. Não faltou dinheiro para entrar na Renault o ano passado, mas apenas no 12.º GP estava longe de ser a situação ideal.

    Maldonado e Perez, esses sim, tiveram a sorte de unir o talento ao dinheiro logo na altura própria: brilharam na GP2 em 2010 e entraram na F1 no ano seguinte.

    Mas claro que há muitos pilotos de talento que nunca têm as oportunidades que merecem por falta de dinheiro. Essa é uma consequência dos tempos que correm. O automobilismo sempre foi assim, mas as coisas pioraram devido aos efeitos da crise global de 2008.

  2. Billy disse:

    Que situação! Hoje o Anthony West disse que vai correr na Motogp este ano porque não conseguiu o patrocínio necessário. Ele chegou a colocar o carro, a moto de motocross e a casa à venda… Chegou a dar a casa como garantia caso não conseguisse o dinheiro… Acho ridículo uma equipe como a Williams recorrer a dois pilotos pagantes (apenas bons, nada demais) para alinhar no grid. Num ano em que o staff técnico da equipe muda completamente. Será que é difícil para as equipes contratar um diretor de marketing que levante a bunda da cadeira, saia da frente do facebook, coloque a pasta embaixo do braço e vá em busca investidores? Os pilotos, além de pilotar arriscando a vida, tem também que fazer isso? Por exemplo, o Rubinho ano passado esteve na Nestlé. A Williams não tinha ninguém que pudesse fazer esse contato? É o piloto que tem agora que correr atrás? Que emprego é esse em que as pessoas têm que pagar pelo direito de trabalhar?

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